Colar de Girassóis e autismo - Kim Baker - Revista Autismo

Em texto exclusivo para a Revista Autismo, mãe inglesa conta como foi o fato que viralizou no mundo inteiro

Kim Baker, do Reino Unido

O esquema de usar o cordão de girassóis como indicação de deficiências ocultas começou em junho de 2016 no aeroporto de Gatwick, Londres. A intenção era ser um sinal discreto para os funcionários, a fim de reconhecer o usuário (ou um acompanhante do usuário) que precisasse de ajuda, tempo ou assistência extra ao passar pelo aeroporto. Após o seu sucesso, esforços têm acontecido para estender o uso do cordão a outros lugares.

Deixe-me contar a vocês a minha experiência com o cordão. Em junho, viajamos para a Espanha e utilizamos o cordão de girassóis. Eu estava com o cordão e positivamente notei que a equipe [do aeroporto] o reconheceu e me fez um aceno de cabeça. Enquanto eu estava na fila para despachar nossas malas, um membro da equipe viu meu cordão e me pediu que lhe entregasse nossos cartões de embarque para que ele imprimisse as etiquetas do assento e do carrinho do bebê, de modo que elas estivessem prontas quando chegássemos à frente da fila. Enquanto era verificado pela segurança, meu marido teve que passar pelo scanner. Nesse ponto, meu filho já estava na fila há um bom tempo, o aeroporto estava cheio e ele ficando irritado. Nosso carrinho estava sendo escaneado e, enquanto eu recebia nossa bagagem, ia tentando fazer malabarismos com nosso filho, que estava nos estágios iniciais de uma crise. Perguntei a uma senhora pelo nosso carrinho e ela imediatamente o levou até nós e, enquanto eu estava lutando para ajeitar a pobre criança de volta no carrinho, ela se curvou e me disse em voz baixa: “Escute, por favor, não deixe ninguém te apressar hoje. Leve o tempo que precisar e faça o que for necessário”. Ela não fez muito, para ser honesta, ela poderia ter feito muito pouco além daquilo, naquele momento, mas ela foi gentil e isso bastou para fazer que eu me sentisse um pouco mais calma.

Depois disso não houve mais momentos de utilidade do cordão e chegamos em segurança ao aeroporto de Málaga. Quanto ao desembarque em Málaga, eu realmente não precisei de nenhum suporte adicional. No entanto, no caminho de volta para casa foi quando o serviço excepcional aconteceu. Entramos na longa fila para checagem de segurança e imediatamente um membro da equipe se aproximou de nós, pediu que o seguíssemos para obter assistência especial e fomos escoltados diretamente, sem filas. Mais tarde, na fila para entrar no avião, outro membro da equipe veio nos buscar e nos levou até à frente do avião, para embarcarmos primeiro. Eu me senti recebendo um atendimento incrível e fiquei muito impressionada.

Em agosto, publiquei no Facebook uma foto da minha família no avião, junto com uma pequena explicação sobre o cordão. Para minha surpresa, o post foi compartilhado 334.000 vezes e a conscientização a respeito do cordão se espalhou por toda parte. Continuei tentando aumentar essa conscientização e entrei em contato com várias companhias para que os adquirissem. Continuo tendo experiências positivas e uso o cordão onde quer que vamos.

Colar de Girassóis e autismo - Kim Baker - Revista Autismo
Foto original divulgada por Kim Baker que viralizou nas redes sociais.
Foto: Arquivo pessoal

Deixe-me esclarecer que o cordão não foi minha ideia – eu apenas fiz uma publicação inocente sobre ele numa mídia social, a qual obteve uma repercussão enorme. Se você deseja obter mais informações sobre o esquema envolvendo o cordão de girassóis, ou quer adquirir algum dos itens disponíveis, visite www.hiddendisabilitesstore.com. Finalmente, eu gostaria de deixar claro que o uso do cordão não é para furar a fila! Nem oferecer tratamento VIP. A idéia é que o cordão seja um símbolo para a equipe ou para pessoas em geral estarem cientes de que o usuário pode precisar de certos ajustes ou apoios. Isso pode significar passar à frente na fila, pode ser o acesso a uma área tranquila, a ter um pouco mais de espaço, ou simplesmente conscientização.

Kim Baker exclusivo para a Revista Autismo

Kim Baker é inglesa e tem um filhinho de 3 anos e meio. Ele foi diagnosticado com autismo um mês antes de completar três anos. 

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