Identidade autista — eis o orgulho — Revista Autismo nº 9
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18 de junho: Dia do Orgulho Autista

Victor Mendonça

No dia 18 de junho, comemora-se o Dia do Orgulho Autista. A data foi celebrada originalmente em 2004 pela organização americana Aspies for Freedom. No Brasil, o primeiro tema abordado foi “aceitação, não cura”, em 2005, durante um evento em Brasília. Desde então, a data tem se popularizado a cada ano no país. O objetivo do Dia do Orgulho Autista é mudar a visão negativa tanto dos meios de comunicação quanto da sociedade em geral com relação ao autismo. Dessa forma, a condição passa a ser vista não como doença, mas como diferença.

É importante destacar que a visão de autismo como “diferença” não é contraditória à visão da condição como deficiência. Assim, entende-se deficiência como característica da pessoa que, em interação com determinadas barreiras do ambiente, causa um prejuízo funcional na vida desse indivíduo. Portanto, se o ambiente for favorável para que a pessoa autista desenvolva suas habilidades e competências, ela poderá desenvolver o máximo do próprio potencial sem deixar de ser quem é. O Orgulho Autista, inspirado no movimento do Orgulho LGBT, reconhece o potencial inato em todas as pessoas. O arco-íris no símbolo do infinito, é usado para representar esse dia, o que simboliza a diversidade, com infinitas variações e possibilidades.

Muitos pais de autistas são críticos no que se refere a essa comemoração. Eles afirmam que têm orgulho dos filhos, mas não do autismo. Os ativistas do movimento pela neurodiversidade, por outro lado, alegam se tratar de um orgulho “político” e, portanto, somente autistas podem senti-lo. Para eles, o Dia do Orgulho Autista não foi criado como forma de imprimir glamour à condição. O objetivo é criar uma cultura de identidade autista, até como forma de prevenir o suicídio nessa parcela da população. Para esses ativistas, a narrativa negativa impressa no autismo faz com que muitas pessoas no espectro sintam-se um peso para suas famílias, o que pode levar a consequências drásticas de depressão e suicídio.

Por fim, o Dia do Orgulho Autista foi criado para combater todas as formas de preconceito e ignorância. Afinal, elas podem agravar os desafios vivenciados pelas pessoas autistas. Isso inclui as formas de intolerância relacionadas com a cultura autista. Alguns exemplos são as ideias de que ser neurotípico é “melhor” do que ser autista e de que casos mais leves e sutis não devem fazer parte do espectro do autismo.

As campanhas, em datas como essa, mostram que a criação de uma cultura de orgulho da identidade autista liberta muitas pessoas no espectro de sentirem-se mal por características inerentes à própria condição. O Dia do Orgulho Autista busca jogar luz no lado positivo dessas particularidades. Afinal, seguindo esse conceito, as pessoas autistas, munidas das ferramentas necessárias, podem explorar o máximo do próprio potencial para ser feliz e contribuir positivamente à sociedade. E é isso que todos nós queremos, não é mesmo?

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