#esefosseseufilho — E se fosse seu filho?

Familiares de pessoas com deficiência se unem e ganham força

Muita gente dirige aos nossos filhos olhares de compaixão. Seria bem melhor que demonstrassem empatia.

Pôr-se no lugar de pessoas que têm autismo ou outros transtornos é tarefa difícil para os neurotípicos, mas fundamental para quebrar a falsa barreira entre “normais” e “deficientes”.

Foi na batalha por empatia que mães se uniram, em 2016, num grupo de WhatsApp, o Juntos. A rede de familiares de pessoas com deficiências cresceu e, entre outras ações, criou #eSeFosseSeuFilho. A hashtag ganhou alcance nacional a partir de 2018. Algumas das mães participaram do programa “Encontro com Fátima Bernardes”. E artistas foram convidados a gravar vídeos com relatos de quem acompanhou os filhos sendo alvos de preconceito e exclusão.

Estão no Youtube, e compartilhados em redes sociais, vídeos como os realizados pelas atrizes Mariana Lima, Betty Gofman, Isabela Garcia e pelo ator João Vitti. Outra a gravar foi a publicitária gaúcha Lau Patrón, autora do livro “71 Leões”, diário da longa estada no hospital de seu filho João Vicente. Ele sofreu um derrame por conta da Síndrome Hemolítica Urêmica atípica (SHUa), que afeta o sistema imunológico. Patrón se tornou conhecida ao realizar, no Tedx Talks, a conferência “A solidão das mães especiais – Seja rede, seja aldeia”.

O ponto de partida do Juntos foi o abaixo-assinado de pais para que uma criança especial saísse de uma escola. Esse caso de falta absoluta de empatia não é isolado, como nós sabemos. O grupo protestou contra a escola e passou a acompanhar outras situações em que pessoas especiais são excluídas.

As histórias chegaram às páginas do jornal O Globo na seção Tô Dentro, sobre inclusão de pessoas com deficiências. A hashtag #eSeFosseSeuFilho se tornou mais conhecida e mostrou seu potencial de provocar empatia.

As mães que integram o movimento preferem não falar em lideranças, deixando a coletividade em primeiro plano. Por isso, não foram citados nomes delas aqui. Também não falei de casos envolvendo o meu filho, um autista que está com 18 anos em 2019. A busca por empatia e pelo reconhecimento dos direitos dos nossos filhos é individual, mas também – e sobretudo – coletiva.

A formação de redes de apoio e luta é fundamental.

O grupo que gerou a campanha #eSeFosseSeuFilho pode serencontrado no Facebook (JuntosPorUmMundoMaisHumano) e no Instagram (@juntos_grupo).

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