O desafio é aprender a regular emoções, confortáveis e desconfortáveis, que ocorrem naturalmente

Eric Hamblen, dos Estados Unidos

Embora as emoções impulsionem a maior parte dos nossos comportamentos, esse fato é muitas vezes um conceito tênue e fácil de ser esquecido à medida que orientamos nossos filhos sobre como compreender suas experiências. Por gerações, a gestão comportamental tem sido o pilar nas instituições de ensino, serviços profissionais, cursos e livros para pais em todo o mundo. O comportamento é importante. Quando percebemos que os comportamentos são movidos por emoções, abrimos nossos corações e mentes para ajudar as crianças em sua necessidade emocional básica de sentirem -se conectadas usando nossa compaixão, um instinto humano.

Uma vez que tenhamos em mente que os comportamentos são motivados por emoções, poderemos mudar nossa atitude baseada em controle para uma conexão emocional, a fim de envolver naturalmente os outros. A conexão emocional genuína tem a capacidade de deixar as pessoas à vontade, reduzindo o sofrimento emocional, o que faz com que as crianças não ajam com tanta freqüência com comportamentos desafiadores, o que permite que os adultos se preocupem menos com a tentativa de controlar seus comportamentos.

Aprender a regular nossas emoções, confortáveis e desconfortáveis, que ocorrem naturalmente, é um desafio. Para efetivamente ajudarmos a nós mesmos e aos nossos filhos a regular as emoções, precisamos nos concentrar no conceito de “encher o copo relacional”. Quando nosso copo relacional está cheio, nos tornamos mais resistentes ao estresse, somos mais flexíveis e demonstramos um aumento na capacidade de sair da nossa zona de conforto e experimentar novas experiências. A maioria das aprendizagens significativas ocorrem quando estamos fora da nossa zona de conforto.

Encher o copo relacional é menos complexo do que parece. No entanto, muitas vezes é um conceito de difícil explicação. O importante é lembrar que preencher esse “copo” exige que criemos espaço e nos conectemos a cada uma de nossas emoções, confortáveis ou incômodas, e que também ocorrem naturalmente com as pessoas que amamos. Expressar nossos sentimentos e ter esses sentimentos validados é essencial para preencher nosso copo relacional. Pense nas pessoas mais próximas a você, os laços mais fortes — provavelmente são aqueles que estiveram presentes nos bons e maus momentos. O objetivo, portanto, não é apenas tentar criar bons momentos com as crianças.

Crianças, como adultos, experimentam uma gama completa de emoções. Elas precisam de relacionamentos com pessoas que possam estar com elas quando as coisas ficam difíceis e que permitam que elas sintam e compartilhem seus sentimentos mais desconfortáveis, para que possam aprender com esses sentimentos, em vez de evitá-los ou , pior ainda, aprender que seus sentimentos desconfortáveis são “errados”.

Também é importante notar que os adultos podem ter dificuldades para reconhecer suas próprias necessidades emocionais e, portanto, haverá essa dificuldade também para atender às necessidades de seus filhos. A culpa é de ninguém, no entanto, quanto mais os pais se conscientizarem do fato de que as emoções impulsionam o comportamento, mais eficazes eles serão em sua capacidade de influenciar o desenvolvimento saudável de seus filhos.

Emoções e comportamentos seguem regras muito diferentes. Já os comportamentos PODEM estar certos ou errados, ser bons ou ruins, corretos ou incorretos. Emoções NÃO PODEM ser boas ou ruins, certas ou erradas, corretas ou incorretas. Essa distinção pode tornar mais fácil, para os pais, estabelecerem limites claros sobre o comportamento, ao mesmo tempo em que é permitido que a criança “sinta o que está sentindo”. Por exemplo, “Não há problema em estar bravo. Mas há problema se você bater em alguém.”

Há um número infinito de comportamentos para se ensinar, ou gerenciar, a uma criança. Todavia, há um número finito de emoções fundamentais, que precisamos aprender a ter e compreender: raiva, medo, nojo, alegria, curiosidade e tristeza. Cada uma dessas emoções tem um propósito distinto para nos proteger e nos manter seguros, tanto física como emocionalmente. Ajudar uma criança a aprender a tolerar e a compreender essas emoções aumentará a qualidade das relações entre pais e filhos, bem como com outras pessoas com quem a criança se relacione dentro e fora de casa.

Estar com uma emoção é um conceito forte. É a capacidade de permanecer em uma dinâmica relacional com uma criança enquanto ela está experimentando emoções, confortáveis e/ou desconfortáveis, que ocorrem naturalmente. Por exemplo, a maioria dos pais acha fácil manter uma dinâmica relacional quando uma criança está sentindo alegria. No entanto, muitos pais acham mais difícil permanecer nessa dinâmica quando uma criança está se sentindo zangada ou triste. Frequentemente, os pais procuram minimizar o sofrimento de seus filhos, tentando “consertar” o problema ou concentrando-se em controlar o comportamento. Sem qualquer intenção, os pais enviam a mensagem para o filho que eles, pais, estão desconfortáveis com a forma como o seu filho está se sentindo e que os sentimentos do filho não podem ser tolerados neste momento. Todas as crianças aprendem cedo na vida (nos primeiros 18 meses) quais de suas emoções que afligem seus pais. As crianças aprendem a aproveitar ou “esmagar” essas emoções para controlar seu acesso aos pais. O objetivo é tornar-se consciente desses processos naturais, a fim de vermos as forças que impulsionam nossas emoções — e comportamentos subseqüentes — para desenvolvermos relacionamentos saudáveis com cada uma de nossas emoções, o que nos permitirá desenvolver e manter relacionamentos para compartilhar todas as habilidades, já que seríamos capazes de administrar nosso comportamento ao sermos expostos a novos aprendizados.

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